Câmara debate desalojados e desabrigados da enchente

Defesa Civil e Seasp respondem questionamentos dos vereadores

A Sala das Comissões da Câmara Municipal de Marabá abrigou, na tarde desta segunda-feira, 2 de abril, mais uma reunião entre os vereadores, Defesa Civil e Secretaria Municipal de Assistência Social (Seasp) para exposição das ações que o Poder Executivo vem realizando em assistência aos desalojados e desabrigados pelas cheias dos rios Itacaiunas e Tocantins, em Marabá. Os vereadores exigiram, principalmente, que o atendimento seja igual a todos os afetados pela enchente. 
Participaram da reunião os vereadores Pedro Corrêa, Priscila Veloso, Gílson Dias, Alecio Stringari, Cabo Rodrigo, Tiago Koch e Badeco do Gérson.
Pedro Corrêa, presidente da Câmara Municipal, lembrou que os vereadores são muito cobrados pela população, e por isso a reunião tinha como objetivo tomar conhecimento das ações que o Poder Executivo vem desenvolvendo para assistir as famílias que estão sofrendo com as cheias dos rios, e o planejamento feito pelas secretarias de governo.
Em seguida, o presidente da Câmara franqueou a palavra ao coordenador da Defesa Civil, Jairo Milhomem. Ele expôs que a Defesa realizou um plano de contingência esperando a enchente, contudo, explicou que o rio subiu muito rápido, pegando as autoridades de surpresa. “Hoje, registramos 11,64 metros a cima do nível normal”.
Jairo relembrou que quando o ministro Helder Barbalho esteve em Marabá, haviam 270 famílias desabrigadas. Na época, destinou 1.000 kits com produtos para atender algumas necessidades, só que eles chegaram 10 dias depois do previsto, quando o número de famílias atingidas chegava a 1.280. “Não recebemos, ainda, auxílio do Governo do Estado”, explicou Jairo.
Nadjalúcia Oliveira, secretária de Assistência Social, explicou que cabe à Seasp realizar o cadastramento dos afetados e articular os benefícios para o recebimento de assistência. Ela informou que o prefeito liberou, inicialmente, 300 cestas básicas e depois chegaram os 1.000 kits de assistência humanitária do Governo Federal. “Recentemente, distribuímos mais 350 cestas e 350 botijões de gás, via Prefeitura, para atender as necessidades das famílias”, informou.
De volta com a palavra, Pedro Corrêa falou que os representantes do Executivo não podem se sentir ofendidos quando criticados. “Toda vez que surge um problema é discutido na Casa. Os dilemas e soluções da cidade passam pela Câmara”, pontuou o presidente.

Badeco do Gérson questionou o dia que iniciou o cadastramento, pois na visão dele, foi atrasado e o planejamento da Defesa Civil deixou a desejar. Ele solicitou que seja realizado um levantamento da situação das áreas mais baixas e nas invasões. “É importante sabermos quantas famílias estão desabrigadas. Deveriam ser cadastrados todos os afetados, e eles deveriam receber os mesmos benefícios, desalojados ou desabrigados”, criticou Badeco.
Tiago Koch indagou à Defesa Civil a quantidade total de famílias e pessoas que estão sob a responsabilidade da Defesa Civil, o total de abrigos mantidos pela PMM e o montante de kits entregues para a população, somando os disponibilizados pelo Governo Federal e Municipal.
Jairo revelou que o levantamento realizado pela Defesa Civil teve início em novembro do ano passado. Adeilton Cortez, coordenador técnico da Defesa Civil, informou que levantou 709 famílias de dezembro a janeiro, de forma antecipada, que poderiam ser afetadas. “Hoje temos 490 famílias dentro dos abrigos. O total de cestas básicas distribuídas chega a 1.600 unidades. A Prefeitura tem 23 abrigos sob sua gestão neste momento e 1.280 famílias atendidas pela Defesa Civil no total”.
Gílson Dias falou que parece não estar havendo uma sintonia entre a Defesa Civil e a Seasp. O vereador ainda solicitou um relatório completo sobre as famílias atendidas, com todos os dados quantitativos de atendimentos e material fornecido e o que faltou ou está faltando. 
Priscila Veloso sustentou que, enquanto vereadora, deve representar os alagados e identificou o erro muito tempo antes, visto que colocou seu gabinete à disposição da Defesa Civil para ajudar no que fosse necessário.
Sobre as ações, a vereadora disse que recebeu a denúncia de que está acontecendo que algumas famílias foram cadastradas pela Seasp, mas não pela Defesa Civil. E só são atendidas com os kits humanitários as que foram cadastradas pela Defesa Civil.
Priscila avaliou que se torna inviável que uma pessoa alagada no Bairro da Paz tenha de ir até a Velha Marabá para realizar o seu cadastro. “Isso dificulta muito para a população”. 
Nadjalúcia disse que concorda que é preciso melhorar a metodologia de atendimento com cadastro nos bairros, principalmente, nas áreas mais afetadas.
Os vereadores cobraram intensificação e assistência às famílias que foram, de alguma forma, atingidas nesse período de enchente.